terça-feira, 16 de novembro de 2010

Goteira...

A dubiedade indubitável, indelével.
Agora a chama ordinária, o chamado triste sob o vestígio de um brilho.
Lá no alto, no entanto, houve já a dura constatação:
não mais ela me traria o amor...
O tempo fora longo e sem culpas,
apenas suas marcas deixava outra vez.
Eu quero a inteireza do arrepio,
a pele fulgurante
de lágrimas eternas!
Passos lado a lado,
braços ligando corpos doadores de suas essências.
Percepção de um encontro.
Vitalidade na memória pelo reencontro.
Da dor diluviana aprendo a admirar a felicidade a conta-gotas.
Quando o próximo pingo?
Franqueza poética,
amargura objetiva
nas regiões de todo o ser...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Apenas um dia

A cor de fogo dos seus cabelos são a externação física de sua oratória flamejante a esquentar meu corpo e inflamar minha alma suscitando um convite ao reflexo da minha doença em seus olhos risonhamente tristes.
Na política fatídica abandonada pelos meus atos simplesmente para me proteger, embate não brotou pela discórdia de nossas convicções ideológicas fora de nossa análise autocrítica em comum: um fala, outra escuta; uma agradece, outro aplaude.
A cada amanhecer lutamos brava e serenamente nos porões onde o tempo e nossas mazelas diminuíram o simbolismo de um tom infantil a nos guiar numa nova via em que um dia significa vida inteiriça e que virtuais deslizes de um segundo desafinariam nossa maturidade reconstruída ternamente pela criança esquecida que, em nossos abraços, a cada repousar, é resgatada.
A certeza da sua dor, a alegria incontida nos gestos dos braços a me cutucar, o refinado divagar na memória dos dedos envolvendo meus póros digitais suavizados para e ao recebê-la, a fração de segundo que calo, o silêncio me induzindo a observar o seu ir e vir e seu desasbafo para prosseguir observando o seu silêncio orado, a sua atenção - espontânea ou requisitada - para com minhas observações, delirantes ou coerentes, mostram-me o espaço entre o que é e o que eu espero ser para ela.
Recebo-a com o agradecimento que venho, junto a ela, aprendendo a deflagrar, e me despeço sabendo um pouco mais de mim a lhe chamar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Cigana

Ah, nossa nudez prometida como dois virgens ansiosos num pacto a descobrir um novo mundo!
Ah, os vãos no tempo que não apagam as marcas dos infinitos momentos, que fazem do meu esperar a certeza de que o tempo é vaporização!
Ah, o cálice já não ao alcance das mãos pela escolha de viver!
Ah, esse momento plácido e gentil no qual escolho para amar o meu melhor sem esquecer de que mudar pode ser bom!
Ah, a brisa do teu som, o gargalhar afoito no que não se faz discussão!
Ah, o prazer leve no meu colo, já há tempos na memória que se preocupa em ter-te sempre em carinho, ternura e silêncio vibrante!
Ah, a carne não desvelada, despida de imposições, na imaginação sem rumo da alma a abraçar instantes, abandonando o tempo criado pelos homens!
Ah, o coito - fogo pelos ares, sorrisos gratuitos!